Sentado no tempo da Memória


Liz Quintana

Observando do outro lado da praça, sentindo o cheiro da saudade, percebi que Altair, um velho amigo, acabara de chegar. Ao lado de sua bicicleta, exalando o perfume da reflexão, ele estava no banco de sempre, na praça de todos os dias e com o semblante das horas.
Altair sabia que precisava deixar o vento lamber sua face, também estava ciente que aquele barulho de criança sendo feliz, era o prenúncio dos dias vindouros. Alegre e saudoso, pensava na esposa falecida e na falta de sorte que teve por não conhecer o neto, que em pouco tempo faria a vida dele assumir cores mais suaves e encheria seu coração de bubus e nhéinnhéins.
Olhando longe, em busca de um brilho que estava logo ali, recordava do tempo em que os filhos nasceram. Naquele espaço, pequenos sabores não eram usufruídos. O tempo em casa era de descanso curto e pouco partilhado. Se havia arrependimento, não estou certo, mas não duvido que a decisão agora, era ver cada sorriso e aquecer-se com as mãos macias e leves daquele que viria acrescentar encanto, ao tempo de várias memórias.

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Liz Quintana

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